Lobos do Pardo

O Projeto Lobos do Pardo, faz parte do Programa de Monitoramento e Conservação da Fauna Terrestre, realizado através de parceria da AES Tietê com o Instituto Pró-Carnívoros e o Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros, do ICMBio, foi iniciado em novembro de 2017 com o objetivo de avaliar as ameaças à sobrevivência do lobo-guará no nordeste de São Paulo, a fim de direcionar estratégias de conservação e assim melhorar suas chances de sobrevivência a longo prazo no estado. Os estudos e ações vêm ocorrendo nas áreas de influência direta e indireta das UHEs de Caconde, Euclides da Cunha e Limoeiro.

O lobo-guará é uma espécie bandeira pela expressividade nas áreas que ocupa e representatividade entre os mamíferos de grande porte do Cerrado. Ainda, desempenha importante função ecológica tanto na regulação de populações de suas presas quanto na dispersão de sementes de muitas plantas do Cerrado.

O levantamento de informações tem sido feito a partir de três formas principais:

1) Entrevistas com moradores locais acerca da fauna local e da espécie;

2) Inventariamento por meio de armadilhas fotográficas (câmeras associadas a sensores de presença);

3) Captura, colocação de coleira de monitoramento e acompanhamento dos lobos à distância.

Até o mês de abril de 2019, as câmeras contabilizaram quase 162 mil horas de trabalho, registrando tudo que passou na frente. A partir disso, obteve-se 4.344 imagens de 32 espécies. Só de lobo-guará foram 296 registros.

O projeto conduziu 4 expedições de captura. Seis lobos foram capturados (Tati, Garcia, Rivo, Lupe, Picco e Mika). Os animais receberam uma coleira especial, dotada de um dispositivo de GPS que registra seus passos e atividades e transmite duas vezes ao dia toda informação a um satélite.Já acumulamos até abril, um total aproximado de 23 mil localizações dos seis lobos acompanhados.

Os números são grandiosos para um pouco mais de um ano de trabalho. Mas o trabalho vai além dos números. Apesar de ser considerado às vezes como uma espécie comum, tolerante à presença humana e presente em áreas degradadas, esses animais estão sujeitos a uma grande diversidade de ameaças. Conhecer estas ameaças e aproximar as comunidades locais à conservação de espécies ameaçadas é a estratégia mais viável para se obter sucesso na redução de ameaças e promover a sobrevivência de animais a longo prazo.