Projeto inédito cria banco genético para a preservação do Bagre-sapo

[dropcap]A[/dropcap]o longo dos anos, devido à iminente redução dos estoques naturais de peixes, diversas estratégias de conservação já foram empregadas em algumas espécies, como a propagação artificial e o levantamento da biologia reprodutiva e genética.

Também foram adotadas estratégias para a constituição de bancos genéticos por meio da criopreservação, que consiste num conjunto de técnicas que permite conservar células a temperaturas muito baixas (196º C negativos) com o uso de nitrogênio líquido. Contudo, em espécies já extintas ou em vias de extinção, a reconstituição dos peixes a partir do sêmen criopreservado resulta em baixíssima sobrevivência para a maioria das espécies.

Sendo assim, a técnica mais promissora para a constituição de bancos genéticos sadios é a preservação de células germinativas primordiais (PGC), que podem ser transplantadas para um organismo receptor constituindo, assim, uma quimera germinativa, que são células que originam a linhagem germinativa e passam informações genéticas aos seus descendentes.

Projeto inédito no Brasil

Diante desse cenário e, buscando inovar e encontrar novas soluções para os animais ameaçados de extinção nas bordas de seus reservatórios, a AES Tietê desenvolveu um projeto de pesquisa e desenvolvimento (P&D – ANEEL), em parceria com a USP e UNESP de Botucatu. O objetivo do projeto é criar técnicas de biotecnologias avançadas em peixes, visando à preservação de espécies como o Bagre-sapo (Pseudopimelodus mangurus).

Batizada de “barriga de aluguel”, a iniciativa é pioneira no Brasil e dividida em duas etapas. Primeiro, será retirada a carga genética do Bagre-sapo. Em seguida, ela será inserida em um óvulo já fecundado da espécie Mandi-guaçu, um peixe considerado comum e sem risco de ser extinto. A partir daí, será gerado um filhote com características preservadas do Bagre-sapo.

“Queremos consolidar um modelo efetivo para a preservação de espécies ameaçadas de extinção nas bacias de atuação da AES Tietê. Com essa manipulação genética, conseguiremos retornar o Bagre-sapo às bacias dos rios Tietê e Pardo”, explica Silvio Santos, biólogo da AES Tietê e responsável pela condução do projeto.

Em breve iremos relatar os resultados desse experimento. Aguarde!